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Memórias de São Paulo: as revoluções de 1924 e 1932

Não são muitos os paulistanos  que sabem ter sido sua cidade palco de duas revoluções, a de 1924 e a de 1932, que tiveram efeitos profundos nos acontecimentos subsequentes da turbulenta trajetória política brasileira. Trincheiras, ruínas, feridos e mortos espalharam-se por ruas e praças nas quais caminhamos hoje em dia sem que alguma placa nos diga o que ali aconteceu. O silêncio da morte sepultou os momentos mais sangrentos da história da Pauliceia. Apesar dos campos de refugiados da Cruz Vermelha fora da cidade, na Zona Leste, na Fazenda do Carmo, e dos 513 mortos nos tiroteios e bombardeios dentro da cidade de São Paulo, a Revolução de 1924 nunca fez parte do calendário de lembranças e homenagens da cidade. Os registros fotográficos dessa campanha mostram, contudo, a extensão brutal da presença, rara no Brasil, dos bombardeios maciços do cenário urbano: o Pátio do Colégio, os bairros da Luz, do Brás, do Belenzinho, da Mooca, da Liberdade, do Ipiranga, da Vila Mariana, do Cambuci, das Perdizes… As primeiras bombas caíram durante a madrugada de 5 de julho sobre o Liceu Coração de Jesus, na Luz, ferindo vários internos. O Mosteiro de São Bento foi transformado em abrigo e hospital. Os mortos sepultados em fundos de quintal e em terrenos baldios na Mooca, no Cambuci, no Sacomã. O Jardim da Luz transformado em campo de concentração dos prisioneiros. As execuções sumárias, no próprio centro da cidade, decorrentes da aplicação da lei marcial, nos casos de invasões e saques de casas e estabelecimentos comerciais. São Paulo foi a primeira cidade brasileira a ser bombardeada por aviões, não só com sacrifício de vidas de civis, pais de família, mulheres e crianças, mas com a destruição de casas e de fábricas nos bairros operários. A Revolução Constitucionalista de 1932, de certo modo, foi um desdobramento da Revolução de 1924, no movimento armado ocorrido no estado de São Paulo, entre julho e outubro de 1932. Tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas para convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. É o que celebra o feriado de 9 de julho em São Paulo. Começou com um comício de Ibrahim Nobre na Praça do Patriarca, no dia 22 de maio de 1932, que se estendeu em passeatas pela tarde e pela noite e culminou com  um massacre na Praça da República. Além dos muitos feridos, ali metralhados, foram mortos a tiros Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo – MMDC.   Para resgatar esses dois importantes movimentos históricos, José de Souza Martins, além da palestra, exibirá  fotografias da época. Em seguida, autografará seu livro O Coração da Pauliceia ainda Bate (Editora Unesp/Imprensa Oficial).

Metodologia

Formato de “bate-papo”, mediado por um especialista da área.
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Nesta série não há certificação.

05 de julho de 2018 – ATENÇÃO: Evento GRATUITO. Favor desconsiderar a página de pagamento. VAGAS LIMITADAS. Em caso de desistência ou dúvidas, por favor, entre em contato: unil@editora.unesp.br ou (11) 3242-9555.

Autor

José de Souza Martins

Doutor em Sociologia pela USP (1970), é professor titular aposentado da USP e foi eleito em 2015 para a cadeira nº 22 da Academia Paulista de Letras. Na docência e na pesquisa científica, é autor nas áreas de Sociologia da Vida Cotidiana, Sociologia Visual e Sociologia dos Movimentos Sociais. Tem feito pesquisas e escrito sobre a questão agrária, sobre a Amazônia, sobre fotografia, sobre o subúrbio e sobre comportamento coletivo. Escreveu nos jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. Atualmente é colunista do suplemento Eu&Fim de Semana, do jornal Valor Econômico.

Mediador

Paulo Werneck

É editor de livros, jornalista e tradutor literário. Desde 2017, edita a revista Quatro Cinco Um, especializada na cobertura de livros. Traduziu Zazie no Metrô, de Raymond Queneau, A espuma dos dias, de Boris Vian, e Persépolis, de Marjane Satrapi, entre outras obras. Em 1999, publicou ­Cabras – Caderno de viagem, com Antonio Prata, Chico Mattoso e Zé Vicente da Veiga, livro que em 2002 ganhou nova edição, com prefácio de Antonio Candido. Editou, com Chico Mattoso, a revista literária independente Ácaro. Com onze anos de experiência em editoras, trabalhou na Companhia das Letras e Cosac Naify, tendo participado da elaboração do manual de edição e estilo de ambas. Foi o editor responsável pela criação do caderno Ilustríssima, da Folha de S.Paulo (2010-13). Entre 2014 e 2016, foi o responsável pela curadoria de três edições da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Crédito da foto: Marina Quintanilha/Divulgação

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